História do álcool combustível no Brasil

A fermentação do açúcar em álcool é considerada uma das primeiras biotecnologias da humanidade, a partir da obtenção de etanol, e tem sido utilizada desde a pré-história para a fabricação de bebidas. Sua utilização como álcool combustível, porém, remonta ao início da indústria automotiva para motores a explosão do ciclo Otto.

Neste post, vamos conhecer um pouco mais sobre a história do álcool combustível no Brasil, sua utilização, o crescimento do uso no final dos anos 1970, o ressurgimento a partir dos anos 2000.

O início do álcool combustível

No Brasil, as primeiras experiências datadas do uso de etanol ou álcool combustível são de 1925, com a criação dos primeiros veículos movidos a essa tecnologia. Naquela década, surgiram as primeiras produções em escala de usinas, mas que não prosseguiram na década seguinte, em virtude das quedas dos preços do petróleo.

Esse cenário perdurou por algumas dezenas de anos, até a década de 1970, quando o álcool combustível voltou ao cenário nacional. Naquele tempo, a crise do petróleo provocou alta nos preços dos combustíveis fósseis, afetando gasolina e diesel. Foi nesse período que nasceu um dos programas mais conhecidos em termos de geração de combustível o Proálcool.

O Programa Nacional do Álcool

Lançado oficialmente em novembro de 1975, o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) visava diminuir a dependência do Brasil pelos combustíveis oriundos do petróleo, que tinha seus preços aumentados em virtude da crise mundial.

O Proálcool previa a promoção, por parte do governo federal, de estudos econômicos para produção em grande escala, desenvolvimento de tecnologia e subsídios a usinas produtoras. As indústrias automobilísticas também receberam subsídios para a fabricação de veículos movidos a álcool, visto que os motores precisavam de adaptações. Surgiam então as versões de motores movidos a gasolina e a álcool.

O primeiro veículo movido a álcool foi lançado em 1978, um Fiat 147. Daquele ano até a metade da década de 1980, quase todas as marcas de automóveis fabricaram veículos que utilizavam o novo combustível nos seus motores.

Foto – Wiki Commons

Queda gradual no consumo

O final da década de 1980 e o início da década de 1990 marcaram a queda do consumo de álcool combustível no Brasil e arrefecimento do Proálcool. Um dos principais motivos apontados foi a alta do preço internacional do açúcar, que desestimulou a fabricação da cana em etanol.

Esse novo cenário exigiu a importação de etanol dos Estados Unidos, causando progressivas retiradas de subsídios da cadeia produtora, por parte do governo federal.

Outro ponto recorrentemente lembrado como fator para queda do uso de álcool combustível se deveu aos problemas técnicos nos motores a álcool na década de 1990. Os carros tinham dificuldades de desempenho, principalmente nos dias frios, o que promoveu uma busca por conversão de motores a álcool para gasolina.

Ainda, cabe ressaltar que os anos 1990 foram marcados novamente por uma queda nos preços dos barris de petróleo, acentuando a busca pelo combustível fóssil, considerado de muito melhor performance.

Ressurgimento nos anos 2000

De novo o petróleo: em 2003, novas crises mundiais forçaram a busca por veículos movidos a outros tipos de combustíveis. Foi então que se reiniciou a fabricação de veículos movidos a álcool combustível, no entanto, com novas tecnologias.

Um dos grandes fatores favoráveis ao retorno do álcool aos postos de combustíveis foi o surgimento dos veículos flex, ou seja, dotados de motores capazes de utilizar álcool ou gasolina. O primeiro deles, foi o Gol G3. Anteriormente, os carros eram movidos ou a gasolina ou a álcool, pois os motores não permitiam essa flexibilidade.

Além disso, houve avanços na tecnologia, com o avanço dos motores e das injeções eletrônicas e digitais. Essas modernizações melhoraram o desempenho dos carros a álcool, eliminando inclusive a necessidade de aparatos para motores de partida a frio (o famoso tanquinho de gasolina).

Atualmente, a utilização de álcool combustível no Brasil é bastante regulada de acordo com o preço do barril do petróleo, que impacta nos valores da gasolina. Ainda, cabe lembrar que a legislação obriga a mistura de 20% a 25% de álcool na gasolina.

Curiosidade: o termo álcool foi substituído pelo termo etanol oficialmente a partir de setembro de 2010, por conta de uma resolução da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

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