Logística reversa: startup utiliza algoritmo para rastrear resíduos

Um projeto-piloto inscrito em um programa da Ambev, que buscava soluções para minimizar os impactos ambientais do vidro, resultou em uma startup que já recolheu mais de 1,3 mil toneladas de resíduo. Essa é a história da Green Mining, empresa que utiliza tecnologia de blockchain para rastrear vasilhames, possibilitando a coleta.

A trajetória começou em 2018, quando os agora sócios da startup apresentaram à fabricante de bebidas o projeto de recolhimento de garrafas vazias. A multinacional então deu aval e fez um aporte financeiro para o início dos trabalhos.

No início, era recolhido apenas vidro, mas depois também foram sendo resgatados garrafas PET de refrigerantes. Hoje, outros materiais também são recolhidos, de acordo com a demanda do cliente.

Isso porque a startup passou a atender outras empresas além da Ambev, dentre elas gigantes como Braskem, AkzoNobel, Deink Brasil e Unilever.

Mineração urbana verde

O sistema utiliza o conceito conhecido como mineração urbana verde, localização e recuperação de resíduos para reaproveitamento. Isso é possível por conta de um algoritmo que rastreia os locais de maior geração de lixo, como bares e restaurantes, por exemplo.

O trabalho é realizado, atualmente, em três cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Nesses municípios, a empresa possui aproximadamente 700 pontos de coletas registrados e 18 centrais de armazenamento, que servem de hubs antes do resíduo ser enviado para reciclagem.

A tecnologia do sistema possibilita obter informações em tempo real de cada etapa do processo, desde o rastreio, data e local da coleta, quantidade de quilos, etc.

Coleta das embalagens

Depois de rastreado o resíduo, o coletor da startup recebe um mapa roteirizado para buscar as embalagens. Ao chegar no local, pesa o material tira foto e registra no sistema da empresa. Tudo pelo celular.

Fotos: Green Mining / Divulgação

Feito isso, ele segue para uma das centrais de armazenamento, com os resíduos já separados por tipo de material. É feita uma nova pesagem. A partir daí, a transportadora leva a carga para as usinas de reciclagem.

Importante também ressaltar que os estabelecimentos comerciais não pagam para que a startup recolha seus recicláveis. Esse pagamento é feito pelas empresas contratantes.

Logística reversa

Essa rastreabilidade facilita o cumprimento da lei de logística reversa, em vigor há mais de dez anos. A execução da legislação, bem como a penalização, é dificultada por causa da falta de sistemas robustos para rastrear os objetos.

Para entender, a logística reversa é um termo utilizado desde a década de 1990, quando o tema de utilização de recursos naturais passou a ter mais espaço. O conceito (e a lei) imprime a todos os agentes da cadeia de suprimentos a responsabilidade pelos resíduos gerados.

Ela tem como objetivo fazer o retorno sustentável dos materiais já utilizados na cadeia produtiva.

No Brasil, está prevista na lei nº 12.305 de 2010, quando da instituição da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Produção de lixo

Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, o Brasil produz cerca de 79 milhões de toneladas de lixo todos os anos. Cada habitante, produz em média 380 quilos por ano, mais de um quilo por dia.

Fotos: Green Mining / Divulgação

Vidro é 100% reciclável

Um dos materiais mais recapturados pela startup é o vidro. O benefício principal desse produto é que ele pode ser reciclado 100% por infinitas vezes.

Contudo, no Brasil, estima-se que apenas 40% do vidro produzido é reciclado. Ou seja, a maior parte acaba sendo despejada em aterros sanitários, onde demorarão por volta de 4 mil anos para se decompor.

Quer saber mais como funciona a reciclagem do vidro e de outros materiais? Acesse nosso post explicativo!

*Este post teve informações de Projeto Draft e Ecoa Uol.


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