O impacto da pandemia na geração de lixo plástico

A pandemia do coronavírus está afetando a cadeia do plástico. De acordo com reportagem do G1, umas das consequências é a baixa dos preços do plástico virgem, que está prejudicando recicladores de todo o mundo. Isso está ligado à influência da economia.

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É que a desaceleração econômica provocou a derrubada da demanda por petróleo para diversas áreas, causando baixas nos preços do plástico virgem por parte da indústria petroquímica. A lógica é clara: com preços mais baixos do plástico virgem, a competição com plástico reciclado se acirrou, inviabilizando boa parte desse processo.

Conforme dados da Independent Commodity Intelligence Services, o plástico reciclado para produção de garrafas de bebida, por exemplo, se tornou até 93% mais caro que o plástico virgem para garrafas novas. A consequência é que a cadeia de produção está preferindo o produto novo.

O resultado é óbvio, maior produção de lixo plástico. A situação ainda é piorada por causa do aumento da produção de materiais que não podem ser reciclados, como luvas, protetores faciais, vasilhames, entre outros.

Crise para recicladores

A pandemia afetou diretamente o trabalho dos recicladores, com a menor demanda por produtos reciclados. Segundo a Reuters, o trabalho desses agentes caiu em mais de 20% na Europa, em 50% em partes da Ásia e até 60% em algumas empresas do Estados Unidos.

Em contrapartida, a indústria petrolífera planeja investir cerca de US$ 400 bilhões nos próximos cinco anos em fábricas que produzem plástico virgem. Isso porque a demanda pelo produto deve aumentar nas próximas décadas, aliada ao menor uso do petróleo como fonte de combustível, a partir da eletrificação dos veículos.

No entanto, grandes empresas químicas do mundo, dizem que canalizam esforços em um grupo chamado de Alliance Plastic Waste, uma aliança pelo fim do lixo plástico também apoiada por companhias de produtos de consumo. No total, os compromissos anunciados pelo grupo representam cerca de US$ 2 bilhões em cinco anos.

Desde 1950 o mundo produziu 6,3 bilhões de toneladas de lixo plástico e 91% disso nunca foi reciclado, segundo levantamento da revista científica Science. A maior parte desse material é difícil de ser reciclada e muitos recicladores dependem há muito tempo de incentivos governamentais. Já o plástico virgem custa metade do preço do plástico reciclado mais comum.

Como funciona a reciclagem

Confira passo a passo como funciona a reciclagem do plástico e outros produtos:

  • 1 – Limpeza e separação

Limpeza para remoção de resíduos, com separação criteriosa, já que o processo como um todo pode ser afetado caso haja misturas.

  • 2 – Fragmentação

O plástico é moído, lavado e parcialmente secado para ter seu volume reduzido.

  • 3 – Extrusão

O material é aquecido e moldado em cilindros.

  • 4 – Granulação

Onde os cilindros de plástico são transformados em pequenos grânulos que podem ser derretidos para, futuramente, se transformarem em outros formatos.

  • 5 – Novo produto

O plástico retorna ao mercado em novo formato.

Quantas vezes o plástico pode ser reciclado?

Não há um limite específico para a reciclagem do plástico, que pode sofrer alterações de propriedades conforme o reprocessamento. Isso pode ser contornado com a adição de quantidades de plástico virgem para recuperação.

O desafio é a grande diversidade de tipos produzidos, o que exige uma separação mais criteriosa, já que o processo como um todo pode ser comprometido caso haja misturas.

É preciso lavar o plástico antes de descartar?

Já tratamos desse tema da lavagem de lixo reciclável em um outro post do nosso blog. Apesar de não ser necessário lavar o lixo destinado para reciclagem, descartá-lo ainda com resíduos orgânicos pode acarretar problemas. O principal deles são os fortes odores e o mau-cheiro, além do perigo de se tornarem um vetor para doenças.

Outra questão é que material limpinho terá mais chances de ser coletado nas cooperativas, por onde passa muito lixo (muito lixo, mesmo!). Ainda, é importante salientar que as embalagens serão manuseadas por alguém, portanto, questão de respeito com o próximo, higiene e saúde pública.

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